PORQUE NÃO HÁ TRILHOS DELINEANDO DIREÇÕES

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

As Vírgulas Do Amor

Todos anseiam por muitas coisas. Todos anseiam e sempre ansiarão por amor. E sendo essa uma quase certeza das quase certezas da vida, o amor sempre abala geral, sempre polêmico, gracioso e humilde. Então, cuide do seu coração, pra que nele não entre nenhum sentimento querendo usurpar o lugar pertencente somente ao amor. 

Preste atenção: Nunca se relacione com um cara, antes de se relacionar consigo mesma. Porque é impossível dar amor quando não se tem amor próprio, é preciso antes procurar se descobrir e se aceitar, e é se descobrindo que você achará o que há dentro de você para oferecer a ele. Amor é doação. E como se doar a alguém, se você mal sabe o que tem para doar?
Se encontre, se aceite, e curta a si mesma. Esteja segura do que você quer e do que você é, e de que ninguém pode fazer isso por você. Só você mesma. Como poderão te amar sem te conhecerem? E como vão te conhecer se você não se conhece? Descubra o seu jeito de ser, e então o seja, e o amor brotará no coração do cara que gostar do seu jeito. Porque só é possível encontrar amor de verdade pelo o que você é, nunca pela aparência.

Da mesma forma, não se apaixone por um homem que não se ama. Porque ele não vai ter nada para lhe oferecer, só ilusão. 
As vezes, por exemplo, pensamos porque tantos homens gostam de ser maltratados, homens do tipo "pisa que eu gosto" ou "não me ame e eu te quero, me ame e eu não te quero mais". Aparentemente eles gostam mais do ato da conquista, do que da mulher propriamente dita. Será masoquismo? Não, não é, é falta de amor próprio. Não que façam isso de forma consciente - pelo menos alguns - o que acontece é que eles precisam sempre da aprovação de uma mulher para se sentirem bem, pois não conseguem se sentir bem consigo mesmos. Assim, nunca conseguem parar em um relacionamento, ou senão, acabam sendo verdadeiros "patos" nas mãos da parceira. Fuja dos patos, pois a única coisa que sabem fazer é "quá-quá".
E uma mulher que tem um "pato" e o maltrata para tê-lo na palma da mão, não faz nada além de se rebaixar ao nível dele, ou melhor, se rebaixa ainda mais, pois além de não possuir amor próprio, não possui amor ao próximo. Não possui amor ao próximo, porque ninguém maltrata alguém que ama. E não possui amor próprio porque precisa ter um homem agindo como cachorrinho aos seus pés para se sentir de bem consigo mesma, poderosa e com a auto-estima elevada.
E que tipo de relacionamento sadomasoquista é esse? Onde está o amor entre esse sádico e esse masoquista?

Procure se envolver em um relacionamento saudável, onde você possa dar e receber carinho sem receio ou medo. Onde você possa ser você e permitir que ele também o seja. Se envolva com um cara que se importe com você, e com quem você goste de conversar. Esteja consciente de que em todo relacionamento há brigas, mas enquanto houver amor, haverá reconciliação. E entenda que as pessoas sempre mudam. Sempre. Inclusive você - Aliás, nunca conheci ninguém na minha vida, que permanecesse igual da infância a velhice - sempre haverá coisas a aprender e a viver, portanto mudanças sempre vão ocorrer: mudanças físicas, de conceitos e de personalidade. Então, se você quer amor, saiba aceitar certas mudanças.
E cuidado, muito cuidado, com as ilusões. Se aparecer um cara na sua vida procure saber se ele realmente gosta de você antes de se envolver, não importa o tempo que levar. Pois se ele realmente gosta, vai saber respeitar o seu tempo. Descubra: cada palavra e atitude dele é uma pista. Não ceda as pressões de ninguém, nem das próprias amigas - "Fica com ele, vai.". Desconfie de um "eu te amo" se você mal o conhece, porque essa história de amor a primeira vista não existe, pode até haver atração ou paixão, mas esses são sentimentos egoístas se não forem acompanhados de amor. E afinal, não existe amor, se não houver amizade.
Então, não se desgaste se doando pra quem não entende o que é amor. Porque quando finalmente aparecer alguém que lhe ame, você estará tão desconfiada de tudo, tão desgastada e esgotada que não terá nada para oferecer.

Aahh... mas como é bom estar de bem consigo mesma, pois quando você se ama, qualquer mágoa passa tão rápido quanto uma chuva de verão. Não precisa de ninguém para lhe completar, pois você entende que a única pessoa que é capaz de completar alguém, é Jesus. Guarde suas palavras e gestos de carinho, seus segredos e sonhos, suas brincadeiras e loucuras, para o homem que merecer recebê-los. Eu ainda guardo os meus, e enquanto não me sentir segura no amor de alguém por mim, não irei demonstrá-los. As experiências que colho, guardo como se fossem flores, e vou formando um buquê, que me traz beleza a vida.
E não desista nunca do amor. Mas antes, deixe Deus cuidar do seu coração e completar qualquer vazio que houver, porque só Ele é capaz disso. O amor Dele é o melhor que existe, e Ele saberá valorizar o seu. É Dele que vem o único amor, você pode até não compreender, que nunca lhe decepcionará.
E se algum dia alguém iludiu e machucou seu coração, afaste a tristeza, a mágoa, a decepção e qualquer outro sentimento que tente lhe ferir... Não se sinta culpada de, um dia, ter acreditado e se arriscado por amor.




Somente uma pessoa é capaz de lhe preencher...




quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Cinema

Domingo de manhã.
Íamos caminhando, eu, Giba (meu irmão menor) e meu pai.
Alegres, felizes, que o dia era de festa.
Domingo, para a gente, lá em casa, sempre era dia de festa.
(Logo cedo tinha chovido, mas uma chuvinha fina, sem importância. Ainda assim, tivemos medo, chuva era o pior sinal.)
"É sim", pensei, "se o tempo virar, vai ser ruim!"
Passei um bocadão de hora olhando o céu, imaginando se as nuvens por longe que enxergava podiam ou não podiam ser de chuva, para nos atrapalhar a vida.
Nisso, meu pai me pegou assim aflito no quintal, pé aqui pé ali:
- Não se preocupe, não, rapaz! Vamos ao cinema de qualquer jeito! - ele disse.
E fomos realmente, que ele era camarada.
Todo domingo fazia igual: nos levava ao cinema, o Éden, na sessão da manhã.
Lá, tinha filme só para crianças, e passavam os melhores do mundo: Tarzan, Kid Justiceiro, Pato Donald e muitos, muitos outros.
Giba era quem mais vibrava de entusiasmo, a semana inteira lembrando.
- Domingo a gente vai, não é?
- É - eu dizia, na esperança de acalmá-lo.
(Tão raquítico, tão pequenino, o cara, apenas dois anos mais novo do que eu, no entanto me obedecia como o quê, também era demais agarrado comigo.)
Meu pai caminhava ligeiro, feito um gigante. Para acompanhá-lo, era preciso a gente correr muito.
Por isso, eu e Giba estávamos cansados, de tanta presa, e papai sempre no passo de quem vai fugindo, pernadas de sete léguas.
- Cansado, Gibinha? - ele perguntou.
- Não! - Giba respondeu, rindo, feliz.
E eu:
- Que cansado nada!
Claro, o que queríamos era chegar logo, quanto mais cedo chegássemos ao Éden, melhor.
(Antes de a sessão começar, era o maior pagode: a meninada se desbandava na brincadeira. Menino corria para todos os lados, brincando, puxando uns aos outros. Uma festa.
Era bom como o quê, tão bom quanto o próprio filme, que já já começaria.
Valia a pena a espera, durante a longa semana, pelo sonhado domingo de manhã.
Igualzinho encontrar, descobrir o mundo.
Naquele tempo foi que conheci vários amigos, meninos ricos, meninos pobres, menino de toda espécie.)
Meu pai parece que teve pena de Giba e o tomou nos braços.
Eu, ao lado, segurando a mãozona do velho, áspera e dura como ferro.
Fingindo que era gente grande, meu irmão reclamou: 
- Ora, papai, vou andando!
Papai insistiu e o levantou de uma só vez.
- Você é pequeno, venha cá!
E não diminuiu os passos.
Continuou como antes, ligeiro que só ele, e eu, praticamente correndo, exausto, agarrado na sua mão pesadona, uma palmatória.
Mas corria contente, em paz com a manhã ensolarada, que o negócio era chegar ao Éden, quanto mais cedo, melhor. 
Pois bem, chegamos. "Que bacana!" - pensei. "Que bacana!" - Gibinha gritou, adivinhando meu pensamento.
Rápido, rápido nos espalhamos, na porta do cinema, o montão de menino fervendo, prontinho para entrar no paraíso. A fila para comprar ingressos corria, estava enorme.
Os pais ali, em pé, e a gurizada ao redor como formigas. A entrada do céu!
Esperamos, eu e Giba.
Tinha chegado a hora da grande felicidade.
Só faltavam alguns minutos, então o sonho se tornaria realidade.
Só alguns minutos e pronto.
Fiquei doido de raiva quando papai, calmo, tranquilão, não procurou entrar na fila também. Saiu, foi conversar com um amigo que encontrou, eu nem o conhecia.
O que conversavam?
Ora, meu pai não ligava pra gente!
- Vamos, papai! - insisti.
- Vamos logo, papai! - Gibinha suplicou.
E nada.
Ele puxou o amigo pelo braço, pararam, cochichando um no ouvido do outro. 
O que esperavam?
Desconfiei que naquilo tinha algum segredo.
Fui me chegando.
Giba preferiu misturar-se com os outros meninos, coitado dele, não compreendia ainda as coisas.
"O que será, meu Deus?" - pensei. "Por quê?"
E pensei assim, justo quando cheguei perto do homem e do meu pai, e ouvi o sujeito falar:
- Eles não deviam fazer isso...
Papai respondeu, concordando:
- É, eles não deviam fazer isso...
Aí, descobri.
Descobri a verdade dura, maior do que meu pai.
E a manhã desmaiou sobre mim: a entrada tinha aumentado de preço. Muito! Muito!
Papai, na hora, me explicou:
- Olhe, vamos indo... não tenho dinheiro suficiente.
Eu aceitei.
Gibinha, não.
O pobrezinho caiu numa tristeza magra. De um instante para outro, pareceu acometido de doença sem cura. Estava morto de dor.
Quando voltávamos, perguntei:
- Domingo a gente vem, não é, papai?
Ele, sincero:
- Não! É caro demais, não posso.
E continuamos voltando, eu, Giba e ele, a caminho de casa.
Agora, ao léu, sem pressa, a manhã inútil, mas ainda era domingo.
Não sei pra quê, meu pai, outra vez, tomou Gibinha nos braços. (Não era preciso...)
- Não chore, Gibinha... - ele disse.
Não entendi: Gibinha não chorava, não.
Por que, então, o pedido? Aí, notei: do olho esquerdo do meu pai é que descia uma lágrima. Das gordonas.
E meu pai limpou ela com a mão trêmula e devagar.
E fez tudo isso meio atrapalhado, parecia que escondendo de mim.
- O que foi, papai? - perguntei.
Ele não respondeu, continuou com o rosto amargo, de pedra, mais sério do que nunca.
No cinema, certamente, as luzes se apagavam.
O filme ia começar.

(Texto retirado do livro: Curso Moderno De Língua Portuguesa, Douglas Tufano)
Everaldo Véras. In Os Melhores contos infantis.
São Paulo, S. Alberto, 1979. p. 52-54.


terça-feira, 12 de julho de 2011

Cuidados no Trânsito

Uma empresa de marketing inglesa tomou a iniciativa de criar um comercial para alertar sobre a necessidade de se tomar cuidado no trânsito. O vídeo é forte, mas talvez essa seja a única forma das pessoas levarem a sério a questão.

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Homossexualismo

Faz tempo que queria escrever um texto sobre o assunto, mas daí achei esse vídeo no qual é falado exatamente o que eu penso...
 
 Não concordar com uma opinião não é o mesmo que ter preconceito. Preconceito é quem julga preconceituoso quem não concorda com uma opinião.

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Imagens Marcantes

"Afghan Girl": A foto (1972) é de uma refugiada afegã de 12 anos que estampou a capa da Revista “National Geographic” simbolizando os conflitos do país. O fotógrafo autor aproveitou que a menina estava sem burca para dar o flash.  Veja mais sobre no site da Wikipédia.


“Espreitando a morte” é o nome da fotografia (1994), onde um abutre espera uma menina, esgotada pela fome, morrer. O fotógrafo Sudanês Kevin Carter ganhou o prêmio Pulitzer de Foto Jornalismo pela imagem. Tempos depois, sentindo culpa por ter presenciado a cena e não ter feito nada, e também por seu vicio em drogas, acaba por se suicidar.  



 Kim Phuc é o nome da menina vietnamita que teve suas roupas queimadas durante um ataque de um avião norte-americano na Guerra do Vietnã. O fotógrafo Nic Ut foi quem registrou a imagem, levando-a depois para o hospital onde ela permaneceu por 14 meses sendo submetida a 17 operações de enxerto de pele. Atualmente, ela preside a "Fundação Kim Phuc", dedicada a ajudar as crianças vítimas da guerra e é embaixadora da UNESCO.



 Rebelde Chinês tenta impedir o avanço de tanques de guerra durante a revolta da Praça de Tiananmen (1989) na República Popular Chinesa. A foto foi tirada por Jeff Widener. 



"O Beijo da Times Square": O fotógrafo Alfred Eisenstaedt capturou a imagem (1945) na Times Squares, uma das avenidas de Nova Iorque, onde um soldado da marinha deu um beijo em uma enfermeira sem ao menos a conhecer, quando a população saia as ruas para comemorar o fim da Segunda Guerra Mundial.


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